Fotos e texto: Sergio Ranalli/Folha de Londrina Em breve mais fotos...
O berço das Tempestades
Uma paisagem lunar, com gelo incrustado por todos os lados, uma água esverdeada de tonalidade difícil de definir, rara aos olhares tropicais. Uns arriscam verde-garrafa outros ficam com verde-jade, no entanto a maioria fica somente perplexa. Frio, muito frio. Rajadas de vento acima de 150 quilômetros por hora transformam suportáveis dois graus negativos numa dolorosa sensação térmica de menos 27 graus Celsius. A natureza é implacável, forte e grandiosa e para aqueles que ultrajam sobrepor seu tempo ela é mortal. Está é a Antártica, o continente guardião do tempo.
Algures do interior paranaense, seu Pedro, agricultor sexagenário, deixa o sorriso farto transpor a timidez do interiorano. É melhor safra dos últimos anos. O clima ajudou, chuvas e temperatura na medida certa. Leitor assíduo da Folha, não compreende por que o jornal foi tão longe. O que seu Pedro não sabe é que os 30 milhões de quilômetros cúbicos de gelo acumulados na Antártica são tão importantes quanto o manto verde da Amazônia na manutenção das condições climáticas locais. O Paraná que o diga, está numa área de transição entre os sistemas frios que vêem do sul, as frentes frias que vem da Antártica, e os sistemas quentes que vem a Amazônia.
Em 1975, seu Pedro viu pela primeira vez lagrimas nos olhos de seu pai, um italiano de 74 anos, tão rústico quanto alto e forte. A geada que queimara os pés de café, havia transformado em cinzas os bens da família. A Antártica mostrava sua fúria, as frentes frias ali gestadas varreram o norte paranaense. "A importância da Antártica é a formação das massas de ar polar, que no inverno provocam quedas abruptas das temperaturas. Principalmente nas regiões do centro sul do estado. As massas de ar no inverno são bem mais fortes e em função disso é que provocam geadas. É importante que preservem a Antártica por que a degradação dela vai implicar em alterações numa vasta região", explica o metereologista do Simepar, Tarcizio Valentin da Costa.
Na década de cinqüenta a comunidade cientifica mundial despertava para a importância da Antártica. Um esforço de pesquisa envolvendo 67 paises durante 18 meses consecutivos, ficou conhecido como o Ano Geofísico Internacional. O sucesso da empreitada foi embrião para o nascimento, em 1959, do Tratado da Antártica, que entrou em vigor em junho de 1961, definindo o continente como "um reserva natural, dedicada à paz e a ciência". A assinatura do tratado congelou as pretensões territoriais de paises como Chile, Argentina e Austrália entre outros.
Demorou, mas em 1982 o Brasil acordou para a necessidade de possuir uma estação de pesquisa no continente, e logo em 1983 o pais foi admitido como Membro Consultivo do Tratado da Antártica. Hoje o Brasil possui a Estação Antártica Comandante Ferraz, quatro refúgios permanentes e conta ainda com o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel, que possui dois helicópteros embarcados. Em março de 2009 está prevista entrada em operação do segundo navio de apoio, o Almirante Maximiliano, comprado este ano depois que o presidente Luis Inácio Lula da Silva visitou a estação Brasileira. No orçamento de 2008 foram reservados 16mi de reais ao Programa Antártico Brasileiro - Proantar.
Ary Rongel e a travessia do Drake
Num fim de tarde, 19, avisto pela primeira vez o "Gigante Vermelho", o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel, no porto de Ushuaia na Argentina. Gigante? Atracado ao lado de um navio cargueiro Chinês parecia um nanico. Contudo não se pode subestimar a capacidade da embarcação, seus 75 metros de comprimento são capazes de deslocar 3700 toneladas.
Entre militares e cientistas, embarcam 94 pessoas, alojadas em camarotes com quatro ou seis lugares. Com dois grandes porões de carga, guindastes, laboratórios, ambulatório, consultório odontológico, academia, cozinha, refeitório e salas de estar, enfim uma micro cidade que será a casa da tripulação por seis meses. Dois helicópteros Esquilo embarcados dão mobilidade necessária ao transporte de cargas e ao apoio aos refúgios e acampamentos.
Embarcamos um dia depois do previsto, o atraso só aumentava a ansiedade. Já dentro da embarcação tentava me encontrar em meio a um labirinto de escadas estreitas e portas estanques. Os camarotes surpreenderam, não eram tão pequenos, estava preparado para algo pior. A Praça D´Armas, sala de estar e refeitório dos oficiais, é espaçosa e confortável.Uma televisão de 42 polegadas com dvd se encarrega de entreter a tripulação, os filmes se repetem, a sensação é que nunca alguém acompanha a trama por inteiro, contudo as risadas acontecem com o mesmo entusiasmo, nas mesmas cenas.
Em poucos minutos de navio uma dezena de palavras se incorporam ao vocabulário do marinheiro de primeira viagem: faina, safo, tijupá, ninho de pega, passadiço, chemaq, cheop, etc... Entretanto os silvos reproduzidos no fonograma nos fazem sentir analfabetos nessa "língua" de marinheiros, todos parecem tão iguais quanto incompreensíveis.
As horas passam, o momento de suspender se aproxima, não há outra conversa pelos corredores apertados que não seja sobre previsões metereologicas para a passagem do temido Estreito de Drake, que faz a ligação entre o continente Sul Americano e a Antártica. São quase mil quilômetros de mar aberto entre esses dois pedaços de terra. Ali ocorre a junção entre o Atlântico e o Pacifico.
Pela estreito passam as frentes frias gestadas na Antártica, uma em seguida da outra. As temperaturas são baixíssimas, os ventos ultrapassam 200 quilômetros por hora e as ondas podem chegar a vinte metros de altura. Enfrentar um mar nessas condições pode levar a cabo um gigantesco navio petroleiro. Assusta pensar o que pode acontecer com a nossa embarcação de médio porte.
Para evitar riscos a tripulação o comandante da embarcação brasileira, o Capitão de Mar e Guerra Arlindo Moreira Serrado, aguarda pequenas janelas metereologicas para iniciar a travessia. "O risco de navegar na Antártica é grande, a temperatura da agua é fatal, o tempo de sobrevivencia é de 90 segundos. A distancia das terras próximas é enorme. Aqui a segurança tem que ter prioridade acima de tudo", afirma Serrado. Homem forjado para guerra que há dois anos trava batalhas diárias no campo das ciências. Já comandou até um Navio Patrulha da Marinha Brasileira pelas traiçoeiras águas do Rio Amazonas.
No passadiço, sala de comando e observação do navio, o radio recebe previsões da Base Chilena Presidente Eduardo Frei, as informações alertam: ondas de até seis metros e rajadas de vento de 100 quilômetros por hora nos esperam, com o mar nessas condições a inclinação da embarcação pode ultrapassar 40 graus. Teoricamente 45 graus é o limite de inclinação do navio.
Andando pelo convés, me preparando para aventura, tenho meus pensamentos interrompidos pelo alerta ecoado nos fonogramas. " Tripulação preparar embarcação para o mau tempo". Dezenas de praças se encarregam de mudar as aeronaves de posição, reforçar a amarração de tudo que está no convés e convoo. O médico embarcado transita pelos corredores com bolsos repletos de remédios contra enjôo, não convém facilitar, quase todos tomam. Mas alerta, se a embarcação balançar demais não há remédio que de jeito, mantenha o estomago cheio, fique deitado.
Dezessete horas do dia 22, todos os oficiais com uniforme de gala. Numa das asas do passadiço o comandante dá as coordenadas para a mesa de operações. O navio começa a se distanciar do cais. Ushuaia vai ficando distante e o sol, raro durante toda viagem, resolve nos brindar na passagem pelo Canal de Beagle. Um oficial alerta os jornalistas embarcados: "quando for 23 horas iniciaremos a travessia do Drake, amarrem seus equipamentos e bagagens. Vocês não conseguirão ficar em pé".
O Ary Rongel atinge um velocidade de 12 nos, aproximadamente 18 quilômetros por hora. São estimadas 44 horas de travessia pelo estreito. O temor não era exclusividade dos principiantes, praças e oficiais não escondiam a preocupação e a ansiedade. Alguns com mais de 3 mil horas de submarino, centenas de dias de mar em navios de guerra. Quando o relógio marcou 22:30 todos subiram ao passadiço, como perder o momento da entrada no Drake? Agumas horas se passaram, as onda gingantes anunciadas não passaram de um metro e meio, a inclinação do navio chegou no máximo a 20 graus. Foi o Drake mais tranqüilo da atual tripulação e a maioria comemorou. Devo confessar que um pouco de aventura não faria mal.
Saudade
Em meio ao labirinto de corredores e escadas, o ruído continuo e intenso do motor é sobreposto pelo dedilhar suave de um violão. Uma voz grave inundava o ambiente com uma musica do Djavan: "Era tanta saudade. É, pra matar. Eu fiquei até doente. Eu fiquei até doente, menina. É deixa estar. Saudade mata a gente". O sargento mergulhador Nazaré cantava o que todos ali sentem. As novidades da terra gelada em pouco tempo são sublimadas pelas lembranças da família. Afinal seis meses é bastante tempo.
Contudo ele tenta disfarçar o sentimento:" minha família já está acostumada com minha ausência". Sobre a distancia dos filhos ele filosofa "filho é que nem passarinho a gente bota no ninho para um dia ele voar".
Paranaenses a bordo
Um pequeno escritório, localizado embaixo de uma das escadas do navio, com prateleiras lotadas de pastas, manuais e livros é o principal local de trabalho do curitibano César Augusto dos Santos, 32. Sargento, com 15 anos de marinha, realizou um sonho de infância. Quando completou 18 anos não teve dúvidas. Pegou suas coisas e seguiu para Paranaguá .Tinha que se alistar na Marinha. "Sempre tive vocação para o mar, sentia um desejo de navegar", fala realizado.
Nos seis meses navegando pelo continente gelado o sargento é responsável por toda tarefa burocrática da divisão de maquinas da embarcação. O trabalho é intenso. O departamento é responsável desde o funcionamento das descargas nos sanitários até o motor do navio. Orçamentos, listas de compras e solicitações ficam sob responsabilidade do paranaense, bem como as previsões de manutenções para as operações antárticas de 2009/2010. E não é só, Augusto é membro da equipe de manobra das aeronaves, auxiliando no levantamento e pouso dos helicópteros. A faina, trabalho no linguajar dos marinheiros, é puxada, contudo ninguém reclama. Servir no Ary Rongel é motivo de orgulho. A seleção é disputada e quem consegue, passa a receber o soldo em dólar durante as operações.
Já o primeiro sargento eletricista Walter Bitencourt Junior, 37, nasceu em Paranaguá e com 17 anos foi para Vitória no Espírito Santo servir na Marinha. Um veterano nas terras geladas, está realizando sua terceira operação antártica." Aqui você faz parte de uma missão de Estado, você faz parte de um Brasil maior, que constrói", define Bitencourt. Sobre as belezas do continente suas palavras são poucas, porém certeiras : "A Antártica é uma beleza azul, branca e preta".
Estação Antártica Comandante Ferraz
Há dois dias somente víamos e sentíamos a Antártica. Não tínhamos tocado nossos pés no continente. Longe do navio, sem barulho de motores e equipamentos. Percebi algo que me marcou profundamente nessa viagem, o silêncio. "É um silencio tão profundo, mas tão profundo que temos a impressão que estamos conversando com deus", define o Doutor Metry Bacila, pesquisador paranaense pioneiro nas pesquisas antárticas.
A Estação Brasileira Antártica Comandante Ferraz está localizada na Baia do Almirantado, Ilha Rei George, arquipélago das ilhas Schetlands do Sul. Nas cercanias da estação milhares de ossadas de baleia se misturam ao gelo, formações rochosas e pingüins. Essas cicatrizes da destruição da fauna marinha remontam do inicia do século XX, tempo em que o local era uma estação Britânica de caça as baleias. O cenário é tão impressionante que em 72 quando o oceanógrafo francês Jacques Cousteau visitou a Ilha Rei George fez questão montar um esqueleto completo de uma baleia-azul. O monumento foi um forma de denunciar e chamar a atenção a matança ocorrida décadas atrás. A maior atração turística das ilhas Schetlands do Sul fica a menos de 200 metros da Estação Brasileira, que foi montada ao lado do antigo e desativado ponto Britânico.
Desde 2007 a estação passa por reformas e modernizações, hoje é considerada modelo ambiental no tratamento dos resíduos. O objetivo é gerar o menor impacto possível. Durante o inverno Ferraz é habitada por até 30 pessoas - 15 militares do grupo de apoio e até 15 pesquisadores. No verão o numero sobe para 60 integrantes. Todos ficam confortavelmente alojados, academia, salas de estar, biblioteca e boa comida minimizam a distancia de casa e o trabalho árduo.
Pesquisadores elogiam a estrutura dos laboratórios, bem como as condições de apoio. Tratores, veículos especiais para neve e embarcações garantem o suporte logístico. "O pais que esta realmente pontificando na pesquisa Antártica no continente Latino Americano é o Brasil, não há dúvida nenhuma", garante o Doutor Metry Bacila.
No verão ainda recebem apoio de dois helicópteros embarcados no navio Ary Rongel. Há locais, como o refugio permanente brasileiro Emilio Goeldi, na Ilha Elefante, que só pode ser acessado por meio de aeronaves.
No comando de Ferraz está o Capitão de Fragata Carlos Alberto Machado Junior, 42. Depois de três tentativas conseguiu vir para Antártica, demonstra orgulho e preparação para chefiar 60 pessoas num ambiente de alto grau de complexidade. Machado destoa dos demais ao revelar seu maior encantamento no continente gelado: "Isso aqui é como se fosse o princípio de tudo, onde todos são solidários. Essa é a maior caracteristica dos povos aqui, todos se ajudam".
Paranaenses
O menino que nunca tinha visto o mar e não acreditava que a água era salgada, é hoje suboficial especialista em eletrônica da Marinha. Paranaense de Nova Esperança, Odair Amâncio Freire, 42, está pela segunda vez no continente, privilegio para poucos. Responsável pelos sistemas de telefonia e internet, também faz a manutenção em todos os equipamentos eletrônicos da estação.
A esposa e o filho estão no Rio de Janeiro matam a saudade por meio de centenas de fotos. Amâncio também é fotografo. Seus cliques do continente gelado já lhe renderam até prêmio, além de uma infinidade de fotos publicadas em livros e informativos da Marinha. Da terra natal, Odair sente falta da Roça, das frutas colhidas no pé. Quando vista a família se recusa ir para cidade.
O pé vermelho e primeiro sargento mergulhador, Miguel Gimenez Sofia, 46, saiu de Ibiporã com 18 anos para realizar um sonho de infância. Quando pequeno foi ao porto de Santos buscar seus avos que chegavam da Espanha. A visão daquelas dezenas de navios atracados nunca mais saiu da cabeça de Gimenez. Naquela manhã o garoto decidiu seu futuro.
Sofia é um homem de sorte e também está pela segunda vez no continente gelado. "Quando voltei para o Brasil, me bateu uma saudade da Antártica. É difícil quem vem para cá não querer voltar , eu consegui", confessa. Entre os encargos de sargento está o tratamento ambiental de resíduos e a manutenção e operação das embarcações.
Paraná: tão longe do gelo, tão perto da Antártica
A EACF ainda era um projeto e já existiam pesquisadores paranaenses envolvidos na empreitada. Poucos sabem, mas Comandante Ferraz esteve em Curitiba para conhecer trabalhos desenvolvidos pelo Centro de Biologia Marinha da Universidade Federal do Paraná. Idealizador e realizador do Programa Antártico, Ferraz saiu impressionado com o entusiasmo e produção cientifica realizada no estado. Meses depois o projeto brasileiro ensaiava os primeiros passos.
Medico por formação e cientista por paixão Doutor Metry Bacila, 86, professor emérito da Universidade Federal do Paraná e outras entidades. Com dezenas de trabalhos publicados, acompanhou de perto essa epopeia. "Montei na UFPR o Centro de Biologia Marinha, nos tínhamos uma atividade muito grande de pesquisa na área. Nessa ocasião, antes escolha do local e da construção da estação, quem esteve em Curitiba foi o Comandante Ferraz. Conversei longamente com ele", revela Bacila. O Capitão-de-Fragata Luiz Antônio de Carvalho Ferraz, o qual a estação recebe o nome, era especialista em hidrografia e oceanografia, foi um dos idealizadores do Programa Antártico Brasileiro, tamanho era seu interesse cientifico no continente gelado.
A UFPR está presente, de forma ininterrupta, desde a primeira expedição. Quando o Navio de Apoio Oceanográfico Barão de Tefé da Marinha do Brasil visitou vários pontos na Antártica para escolher o local em que foi instalada a estação brasileira. Este ano, porém, o estado perdeu a Dra Edith Fanta da UFPR, pioneira e referencia nacional e internacional em pesquisa antártica, representante do Brasil em diversos órgãos do Programa Antártico Internacional. Faleceu em maio. Foi homenageada em sessão solene do Congresso Nacional.
Dr. Bacila já esteve três vezes no continente. Na primeira vez junto com outros pesquisadores montou o laboratório de pesquisas biológicas, que foi projetado pela UFPR. “Levamos todos equipamentos necessários , instalamos tudo. Ficamos vários meses, chegamos em novembro e retornamos no fim a de março. Desenvolvemos pesquisas muito importantes” , recorda. No entanto em sua ultima viagem chegou a sobrevoar a Estação, mas uma forte nevasca impediu que o helicóptero pousasse.
Os números são expressivos, o grupo já conta com mais de 300 trabalhos científicos publicados. “Já fui convidado para ir a Itália, Correia do Sul e Japão, sempre tivemos muito aceitação e consideração pelos nossos trabalhos” , revela Metry. Contudo o pesquisador faz questão de agradecer: “a marinha brasileira merece um abraço fraternal. Não fora a parte logística deles esse programa teria sido impossível”.
A base das pesquisas paranaenses são os peixes antárticos, organismos surpreendentemente adaptados a sobrevivência em baixas temperaturas. Em cada operação antártica uma nova pergunta é respondida. Já estudamos o comportamento de peixes. O sistema visual, como os peixes procuram alimentos. Como eles exploram o ambiente com diferentes blocos de gelo no mar. Nos também fizemos estudos de conteúdo estomacal, estudos morfonológicos, adaptação das especieis de peixes em salinidades distintas. Agora, devido ao Ano Polar Internacional, nossas pesquisas estão direcionadas a alteração de temperatura , explica a professora da UFPR Dra. Lucélia Donatti, pesquisadora que assumiu os trabalhos da Dra. Edith Fanta.
Jovens cientistas
Vinte e sete anos, brincalhões, esbanjam jovialidade. Apesar da pouca idade os pesquisadores curitibanos Juliana Stierschultz e Fábio Carneiro Sterzelecki apresentam um currículo de musculatura invejável. Fazem parte do grupo da Dra Donatti. Quando nos encontramos estavam se despedindo da EACF, enfrentaram o rigoroso inverno antártico com ventos de até 250 quilômetros por hora e temperatura de 30 graus negativos.
Foram oito meses de pesquisas. O projeto está inserido no Ano Polar Internacional, a temática é o aquecimento global. “Trabalhamos com peixes antárticos de duas especies, fazemos experimentos com temperatura, salinidade e PH” , explica Carneiro.
Pescar é diversão para muita gente. Para Juliana e Fábio era trabalho sério e perigoso. Para o desenvolvimento da pesquisa a coleta dos peixes é etapa fundamental, no entanto fazer isso na antártica exige coragem. “Tivemos que abortar diversas missões, os ventos chegaram a 300 quilômetros por hora. É preciso cer
:: SÉRGIO RANALLI 6:58 PM [+] ::
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